O que é síndrome do viajante e como a meia de compressão ajuda nas viagens de longa distância

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Viagens longas podem ocasionar diversas reações. Talvez, você já teve a experiência em um voo de várias horas, sentiu com enjoo, enxaqueca, ansiedade e estresse.

Quando o tempo de viagem supera 3 ou 4 horas, geralmente provoca uma série de desconfortos. É comum sentir dor nas costas, nas pernas, além de inchaço nos pés e tornozelos.

Porém existe outra situação não tão conhecida do público em geral, denominada pelos médicos como “síndrome do viajante” ou “síndrome da classe econômica”

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O que é síndrome do viajante ou síndrome da classe econômica?

A Dra. Luana Parminondi Rocha médica especialista em cirurgia vascular explica que a síndrome do viajante descreve uma situação em que ocorre embolia pulmonar após um longo período de imobilidade durante viagens com longa duração.

Dra. Luana comenta que a falta de mobilidade nas pernas pode levar à formação de um coágulo sanguíneo nas veias das pernas. O coágulo é uma aglomeração das células sanguíneas que provoca uma barreira ao fluxo de sangue dentro dos vasos. Esse bloqueio no fluxo de sangue em veias grandes nas pernas é denominado Trombose Venosa Profunda (TVP).

Sintomas

Alguns sintomas podem ser percebidos em um quadro de TVP, tais como dor na perna, inchaço, vermelhidão, queimação, pele azulada ou esbranquiçada, endurecimento da pele no local.

Ainda dentro da sequência de eventos caracterizados por síndrome do viajante, Dra. Luana observa que pode ocorrer uma consequência ainda mais grave, denominada Embolia Pulmonar. Nessa condição ocorre o desprendimento do coágulo na veia onde se originou. Esse coágulo (ou trombo) é levado até o pulmão onde provoca a obstrução de alguma artéria pulmonar impedindo a passagem do sangue.

A embolia pulmonar oferece risco à vida da pessoa, e nesse caso os sintomas podem ser sensação repentina de falta de ar, dor no peito que piora com uma respiração profunda, tosse constante, aceleração dos batimentos cardíacos, palidez, ansiedade.

Sendo assim, foi denominada síndrome do viajante ou classe econômica devido aos passageiros que viajam de avião por longas horas, sem se movimentarem. Com o agravante da falta de espaço entre as potronas nas classes econômicas.

Todavia, é importante destacar que, caso ocorra, ela pode ser fatal, se não for tratada a tempo.

Entretanto, você pode pensar que essa doença, geralmente, acontece apenas em aviões, já que também é conhecida como síndrome da classe econômica.

Porém, também pode ocorrer durante viagens de longa distância de trem ou outros veículos.

Prevenção da síndrome do viajante

A recomendação médica é que todos os passageiros que viajam em voos de mais de quatro horas tomem algumas precauções simples, mas necessárias.

Como dito anteriormente, um coágulo sanguíneo denominado como trombo, pode se desenvolver em uma veia da perna como resultado da pouca mobilidade por horas seguidas.

Ainda há muita controvérsia sobre como esse tipo de problema de saúde pode ser causado ou agravado por viagens aéreas, mas certamente parece haver evidências suficientes para causar preocupação para alguns viajantes.

Existindo ou não o risco individual de trombose venosa profunda, os passageiros devem evitar roupas apertadas ao redor das extremidades inferiores e da cintura. Além disso, devem evitar a desidratação e fazer alongamentos frequentes dos músculos da panturrilha.

Ademais, também devem considerar o uso de meia de compressão, pois ajuda na circulação sanguínea. Alguns indivíduos com maiores riscos podem precisar fazer uso de algum medicamento antes da viagem.

Por isso é altamente recomendável que pessoas que já apresentem algum histórico de problemas vasculares busquem a orientação do médico vascular antes da viagem.

Práticas que ajudam a prevenir a síndrome do viajante

Portanto, aqui estão algumas práticas que podem prevenir a síndrome do viajante ou classe econômica. Então, esperamos que seja útil e colabore para evitar esse tipo de lesão ao viajar de avião. Confira abaixo!

1 – Massageie a parte inferior das pernas

Os exercícios e massagens adequados são formas eficazes de manter o fluxo sanguíneo normal. Ademais, pode prevenir a formação de coágulos sanguíneos, especialmente, quando focados na perna e nos pés.

2 – Movimente-se

Durante o voo procure, levantar-se e caminhar no corredor da aeronave, isso faz com que a contração dos músculos das pernas auxilie no retorno do sangue, impedindo a formação do trombo. No caso da impossibilidade de movimentar como em uma viagem de carro, faça movimentos circulares dos tornozelos. Ou ainda com os pés apoiados no chão, movimente a ponta dos pés para cima e para baixo provocando a contração dos músculos das panturrilhas.

3 – Certifique-se de beber bastante líquido

A ingestão adequada de líquidos é importante para prevenir a desidratação, que causa aumento da viscosidade do sangue. No entanto, bebidas alcoólicas ou outras bebidas com efeitos diuréticos podem contribuir para desidratação.

Então, evite a ingestão de bebida alcoólica, beba bastante água e também tome alguma bebida isotônica. Isso ajuda a prevenir, o aparecimento de trombos.

4 – Meias de compressão para viagens

As meias de compressão para viagens são importantes aliadas na prevenção da síndrome do viajante.

Mesmo se você não estiver viajando para muito longe, é uma boa ideia usá-las durante o voo. Além de ajudá-lo a se sentir melhor, usar meias de compressão para viagens é uma medida preventiva fácil e segura para proteger a saúde de suas pernas a longo prazo.

Existem vários níveis de compressão das meias medicinais, por isso é importante buscar a orientação do médico antes de usar. Algumas marcas oferecem modelos de meias compressivas exclusivos para viagens.

 

Gravidez e viagens de longa duração

Gestantes requerem um cuidado ainda mais especial, por conta das alterações hormonais, além da pressão na região abdominal que provocam dificuldades na circulação sanguínea.

Por isso é comum a utilização de meias de compressão para gestantes, além de outras medidas preventivas indicadas por médicos para esse público.

 

Conclusão

Estudos mostram que certos grupos apresentam maior risco de coágulos sanguíneos. E são estes: idade, obesidade, cirurgia recente, histórico familiar de coágulos sanguíneos. Também condições médicas ou doenças que tornam uma pessoa propensa à coagulação podem colocar uma pessoa em maior risco.

 


Colaboraram neste conteúdo:

Dra. Luana Parminondi Rocha – CRM/PR 25.890 – Médica Angiologista

 

  • Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Paraná;
  • Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Angelina Caron;
  • Residência Médica em Cirurgia Vascular pelo Hospital Angelina Caron;
  • Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular;
  • Título de Especialista em Ecografia Vascular com Doppler pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e Colégio Brasileiro de Radiologia;
  • Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular;

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