5 dicas para escolher a cama hospitalar adequada e não errar na compra

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A dificuldade em comprar uma cama hospitalar se dá por uma razão. Ninguém está preparado para lidar com uma pessoa doente em casa.

Os desafios são enormes, afetando a rotina, as finanças, e o emocional das pessoas, especialmente aqueles mais próximos.

Por isso elaboramos cinco dicas essências antes de comprar uma cama hospitalar:

1-Não compre no impulso, opte pelo aluguel de uma cama hospitalar

É comum que a família do paciente hospitalizado seja orientada a providenciar uma cama hospitalar. Isso pode ocorrer nas horas que precedem a alta do paciente.

Entre tantas providências, além é claro da fragilidade emocional. A compra de uma cama hospitalar inadequada pode causar ainda mais transtornos.

Em muitos casos falta uma orientação adequada sobre equipamentos e utensílios  necessários aos cuidados do paciente me casa.

Cuidar de uma pessoa em casa é um desafio para qualquer família. Na maioria das vezes a estrutura da residência não está preparada. Faltam espaços nos cômodos, os corredores são estreitos, as portas também não comportam a passagem de uma cadeira de rodas. Enfim vários problemas surgem de uma só vez.

Alugue primeiro compre depois

Por isso ao invés de procurar uma loja de produtos hospitalares para comprar uma cama hospitalar, o ideal seria entrar em contato com uma empresa de locação de equipamentos hospitalares e primeiramente locar os equipamentos.

Existem empresas de locação de equipamentos hospitalares que trabalham com o serviço de locação por dia ou por mês.

Com o passar do tempo a família começa a ter mais conhecimento sobre a condição do paciente e suas necessidades. Entendendo melhor quais são os equipamentos que irão atender suas demandas. Dessa maneira fica mais fácil saber quais equipamentos valem a pena serem comprados, e quais são dispensáveis.

É muito comum que uma pessoa da família fique responsável por todas as providências em relação ao paciente. Nesse caso a sobrecarga de tarefas faz com que a compra de equipamentos seja as vezes seja equivocada.

2 – Verifique as medidas e estrutura da casa antes de comprar

Verifique os acessos. Especialmente no caso de edifícios, elevadores e escadas por onde a cama hospitalar vai precisar passar para chegar ao apartamento.

Dentro do imóvel meça o vão livre entre os corredores. Se o quarto onde será colocada a cama hospitalar for ao final de um corredor é preciso que haja espaço suficiente para poder manobrar a cama para dentro do quarto.

Algumas camas possuem um sistema de elevação e rebaixamento do leito. Nesse caso a cama movimenta-se para frente e para trás conforme sobe ou desce. Por isso é preciso dispor de um espaço na frente ou atrás da cama para permitir essa movimentação.

Especialmente em compras pela internet converse com o vendedor pergunte sobre as medidas da cama desmontada. Tenha certeza de que a cama pode ser colocada em determinado ambiente.

Uma cama hospitalar não é totalmente desmontável. A estrutura principal do leito, a parte de baixo onde está o motor e onde encaixam as rodas é uma peça inteira.

As peças desmontáveis geralmente são cabeceira, peseira, grades laterais, e rodízios.

3 – Observe (e anote) as necessidades do paciente

Existem diversas razões pelas quais alguém pode precisar de uma cama hospitalar. Pessoas que decidem ter uma cama articulada em casa para melhorar seu conforto e mobilidade. Ou outras que são totalmente dependentes de suporte e precisam de auxílio para tudo.

Existem ainda condições particularmente mais desafiadoras como a demência senil. Nesse caso idosos vão perdendo progressivamente suas capacidades motoras e cognitivas. Ocorre perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, e a perda de habilidades motoras e a independência da pessoa.

Esses pacientes frequentemente se machucam na própria estrutura da cama, principalmente pacientes mais agitados. Durante a noite, ou em um momento de descuido, acabam fazendo algum movimento que pode causar lesões ou até fraturas em decorrência de queda. Nesse caso é necessário que a cama  proporcione máxima proteção, e a estrutura não ofereça risco de lesão. Observe os seguintes aspectos:

  • Grades laterias, cabeceira e peseira

Existem modelos, geralmente de preço menor, em que toda a cama é em aço. Além disso apresentam espaços vazados na cabeceira ou peseira. Veja nas imagens 1 e 2.

Perceba também que enquanto a cabeceira está elevada a grade lateral fica posicionada abaixo. Assim a cabeça e  os ombros do paciente ficam acima da grade de proteção lateral. Imagem 1.

Existem as grades com movimento de sanfona, (imagens 1 e 2). Esse modelo tem a facilidade de poder ser utilizado em quartos com pouco espaço. Mas perceba que a grade lateral é toda vazada com espaços entre as hastes.

Imagem-1: Grade sanfonada
Imagem-2: Grade sanfonada

Dessa maneira esses modelos de camas têm como vantagem o preço, mas não oferecem tanta proteção. Além da estrutura no entorno do paciente ser de aço o que pode machucar no caso de um paciente com agitações e movimentos bruscos.

Lembre-se que se as grades laterais forem com movimento basculante, é necessário que haja um espaço de pelo menos 45 cm nas laterais da cama hospitalar.

Se as grades laterais forem deslizantes (sobe e desce) esse espaço não é necessário. Imagem 3.

 

Imagem-3: Cabeceira, peseira e grades laterais vazadas

 

As grades laterais a cabeceira e peseira precisam oferecer a máxima proteção possível, preferencialmente sem deixar espaços vazios.

Nesses modelos a estrutura das grades laterais geralmente é feita de plástico. Cabeceira e peseira também são quase que totalmente fechadas. Assim evita-se que o paciente coloque braços ou pernas entre os espaços e possa se machucar. Como nas imagens 4, 5 e 6 abaixo:

Imagem-4: Cama hospitalar com grades em plástico
Imagem-5: Cama hospitalar com grades em plástico
Imagem-6: Cama hospitalar com grades, cabeceira e peseira em plástico
  • Cama hospitalar manual x cama hospitalar motorizada

Prefira sempre uma cama hospitalar motorizada. Com toda a rotina de cuidados, e o esforço físico aos qual a família e cuidadores estão submetidos, ficar movimentando a cama através de manivelas é um esforço que com o passar do tempo gera ainda mais cansaço, e em casos extremos pode até provocar lesões por esforços repetitivos.

  • A altura do leito

Tirar e colocar o paciente na cama é parte da rotina por isso é indispensável que a cama hospitalar possua movimento de elevação e rebaixamento do leito.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia SBGG, até 60% da população acima de 65 anos sofre quedas ao menos uma vez no ano. Por isso todo o cuidado no ambiente doméstico é essencial.

  • Peso do paciente e altura do paciente

Existem camas adequadas a pacientes de mais de 100 Kg, outras para pacientes de mais de 150 Kg.

A estrutura da cama é diferente para um paciente de peso superior, nesses caso a cama possui uma estrutura mais reforçada para oferecer a segurança e conforto necessários ao paciente.

Não só a cama como também o colchão hospitalar possui variações na densidade de acordo com a altura e peso do paciente. Veja na imagem 7 abaixo:

Imagem-7: Tabela de densidade do colchão hospitalar de acordo com o biotipo

 

4 – Não utilize como critério principal o preço da cama hospitalar

 

Até aqui você pôde perceber que existe uma infinidade de características que diferenciam as  camas hospitalares.

Os preços variam entre R$ 1.500,00 (na data em que este artigo é publicado), até mais de R$ 100.000,00 no caso de camas hospitalares importadas.

Obviamente que para atender a necessidade de um paciente não precisa ser a cama mais cara. No entanto  o modelo mais barato vai deixar a desejar em algum aspecto. Com o passar dos dias perceberá que precisa de alguma característica da qual a cama hospitalar mais barata não dispõe.

Busque por um equipamento com funcionalidades que atendão as necessidades de todos, tenha em mente o conforto a segurança do paciente e a praticidade para quem está cuidando.

5 – Busque orientações com a equipe médica

Procure conversar com enfermeiros, médico e fisioterapeuta. Ou até mesmo com profissionais que trabalham com home care (atendimento domiciliar), qual a cama hospitalar mais adequada.

Pergunte sobre as necessidades do paciente, como será a alimentação, como será o banho, a perspectiva de independência deste paciente, se vai conseguir sair e deitar-se por conta própria.

Enfim busque extrair o máximo de informações com quem já está um pouco acostumado com a rotina de cuidados com um paciente acamado.

Obviamente conforme falamos, só com o tempo que muitas necessidades são percebidas, ou até mesmo conforme o quadro do paciente muda as necessidades também mudam, então tenha ciência de que eventualmente um equipamento que serve hoje pode não ser o mais adequado amanhã.

Checklist básico para quem for precisar adquirir uma cama hospitalar:

  • Se possível alugue antes de comprar.
  • Verifique o peso e a altura do paciente, a cama deve possuir uma capacidade de peso adequada.Também veja se o comprimento da cama hospitalar é suficiente.
  • Pergunte para o vendedor sobre todas as medidas da cama, inclusive as medidas da embalagem
  • Observe bem as estruturas que protegem o paciente, se são de aço ou plástico, se possuem espaços vazados por onde o paciente possa colocar algum membro para fora da cama.
  • Pacientes com demência precisam de uma cama com mais proteção, de preferência sem espaços vazados, com a cabeceira, peseira e grades laterais, construídos em plástico.
  • Verifique o espaço no entorno da cama hospitalar, pois sempre é preciso dispor de um espaço para a movimentação da cama.
  • Pesquise o preço, mas não use isso como critério definitivo para a compra. Às vezes o barato pode sair caro e um compra equivocada pode gerar enorme dor de cabeça.
  • Por fim não se afobe. Mesmo que esteja pressionado a tomar uma decisão tire um tempo para entender o que é uma cama hospitalar.

 


Profissional Consultado:

Dr. Maurício José de Carvalho Filho – CREFITO-8 6685-F
Fisioterapeuta com especialização em traumato-ortopedia

 

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